
O 2º dia do SPFW começou off Bienal com desfile da Iódice no Shopping Iguatemi. Porém o primeiro destaque só foi acontecer com a apresentação da Maria Bonita e seu cenário todo feito de caixotes de feiras. Afinal, foi das feiras livres que Danielle Janse tirou inspiração para seu verão 2010. Dos tecidos populares vem os incríveis tricôs feitos num tear manual misturando algodão, linho e ráfia. Primeiro naquela silhueta tão típica da marca, afastada do corpo, confortável, só que aqui com um volume orgânico num dos lados, que se revelada uma bolsa acoplada à peça. Depois em calças bem amplas ou blusas na mesma modelagem sempre prezando por um maior conforto e leveza. Os tecidos sintéticos, outra marca registrada da Maria Bonita, aparecem agora tingidos a mão, o que acabou tirando um pouco aquela cara de sintético e deixando as peças em tais materiais bem de acordo com a coleção.
A camiseta e sua modelagem também serve de inspiração para marca. Vestidos, blazeres e macacões ganham formas típicas da peças com cavas maximazadas ao extremo deixando boa parte das costas a mostra, ou então dando uma grande leveza no caimento das peças.

Depois foi a vez de Alexandre Herchcovitch com sua coleção super criativa - puro deleite fashion. O ponto de partida são os esportes coletivos, mas óbvio que de um jeito nada literal. As referências ao sportswear começam singelas, primeiro na estampa que simula malha mescla aplicada sobre cetim, em vestidos arrematados por mini ombreiras arredondadas. Ou então em tops bem justos, como em bodies e leggings, primeiro rendado ou com nervuras, depois num patchwork bem colorido. Falando em patchwork, é aí que o estilista começa a ficar mais solto. O que no começo pode parecer como uma continuação de coleções passadas, logo se mostrou como uma base para toda a grandiosidade que estava por vir. Com estruturas de armes típicas dos uniformes de futebol americano, Herchcovitch vai dando volume quase que surreais aos ombros. Deixando-os imensamente arredondas, super coloridos, com mini babadinhos, as vezes transferindo essa mesma estrutura para crinolinas que dava forma a algumas saias. E o mais incrível de tudo é que os looks nunca perdem sua delicadeza. Tanto pelas cores, como nos detalhes, os ombros, a força, a atitude nunca perdiam a feminilidade de um jeito muito único. Isso graças aos babadinhos, recortes de tecidos mais nobres em transparências e ao respeito as formas do corpo humano, mesmo quando maximizadas ao extremo.
Na Cori, agora sobre o comando de Giselle Nasser e Andrea Ribeiro, a marca retoma suas origens e identidade que andavam meio perdidas nas mãos de Dudu Bertholini e Rita Comparato. Roupas fáceis, prontas para vida real e bem corretinhas (sem ousadias fashion), do jeito que as consumidoras da marca gostam. A diferença é que agora, com esses pequenos detalhes, a roupa prática que a Cori oferece para as mulheres contemporâneas ganha toques de sofisticação e feminilidade que só tem a acrescentar ao perfil da marca.

E na Huis Clos, Sara Kawasaki continua firme e forte na sua vontade de atrair uma clientela mais jovem para marca. Diferente do inverno que apostou em formas e tecidos mais encorpados, o verão vem bem leve. O que antes era estruturado agora fica solto, quase arredondado numa silhueta marcada pelos elásticos nas barras de alguns vestidos e as vezes também na cintura. Quando soltos, os vestido eram pura leveza, numa cartela de cores colorida começando pelo azul, passando pelo cinza, amarelo cítrico, marrom e terminando no clássico branco.
Os comprimentos curtos, as formas quase vaporosas de tão leves e soltas chegaram a causa um certo estranhamento. Será mesmo isso que a mulher Huis Clos quer vestir? Será que essa vontade de atrair uma clientela mais jovem não foi longe demais? Talvez em alguns looks. Mas a medida que Sara Kawasaki vai inserindo aqueles códigos que Clo Orozco transformou em marca registrada de sua grife, a coleção vai ficando mais coerente e com mais sentido.
- Luigi Torre